O que é uma ação e como ela pode gerar lucro para o acionista?

Quando alguém começa a estudar investimentos, uma das primeiras palavras que aparece é ação. Mas, afinal, o que significa comprar uma ação? Como esse investimento pode gerar dinheiro? E de onde vem o lucro de quem investe na Bolsa de Valores?

Entender esses conceitos é fundamental para quem deseja começar a investir no mercado de ações com mais conhecimento e segurança.

Neste artigo, você vai descobrir o que é uma ação da Bolsa, como funciona, quais são as principais formas de ganhar dinheiro com ações e quais riscos o investidor precisa conhecer antes de investir.


O que é uma ação?

O que é uma ação

Uma ação é uma pequena parcela do capital de uma empresa.

Imagine, por exemplo, que uma companhia seja dividida em milhões de pequenas partes. Cada uma dessas partes representa uma ação. Quando você compra uma ação de uma empresa listada na Bolsa, passa a ser, proporcionalmente, um dos seus acionistas.

Isso significa que você deixa de ser apenas um consumidor daquela empresa e passa a ter uma pequena participação nela.

É claro que comprar poucas ações de uma grande companhia não significa que você poderá participar diretamente das decisões administrativas ou frequentar reuniões da diretoria. Sua participação será proporcional à quantidade de ações que possui e ao tipo de ação adquirida.

Mesmo assim, economicamente, você passa a ter exposição aos resultados daquele negócio.


Como funciona uma ação na Bolsa de Valores?

Como funciona a Bolsa de Valores

No Brasil, as ações de empresas listadas são negociadas na B3, a bolsa de valores brasileira.

O processo é relativamente simples:

  1. O investidor abre uma conta em uma instituição financeira;
  2. Transfere dinheiro para essa conta;
  3. Acessa o ambiente de negociação;
  4. Escolhe a ação que deseja comprar;
  5. Envia uma ordem de compra;
  6. Se houver uma ordem de venda compatível, a negociação é realizada.

Depois da compra, as ações passam a fazer parte da carteira do investidor.

Por exemplo, suponha que uma ação esteja sendo negociada a R$ 20.

Se você comprar 50 ações, seu investimento será:

50 × R$ 20 = R$ 1.000

A partir daí, o valor da sua posição poderá subir ou cair de acordo com a cotação da ação.

Mas existe uma questão importante: a valorização da cotação não é a única maneira de ganhar dinheiro com ações.


Como uma ação pode gerar lucro?

Basicamente, existem duas maneiras principais pelas quais uma ação pode proporcionar retorno ao acionista:

1. Valorização da ação

O investidor pode comprar uma ação por determinado preço e vendê-la posteriormente por um preço maior.

2. Recebimento de proventos

A empresa pode distribuir parte de seus lucros aos acionistas na forma de dividendos ou outros proventos.

Vamos entender cada uma dessas possibilidades.


Valorização de uma ação

1. Lucro com a valorização da ação

Essa é provavelmente a forma mais conhecida de ganhar dinheiro na Bolsa.

Imagine que você compre 100 ações por R$ 20 cada.

Seu investimento inicial será:

100 × R$ 20 = R$ 2.000

Depois de algum tempo, suponha que a ação passe a valer R$ 22.

Sua posição agora vale:

100 × R$ 22 = R$ 2.200

Se você vender as 100 ações nesse preço, terá um ganho bruto de:

R$ 2.200 − R$ 2.000 = R$ 200

Nesse exemplo, a valorização foi de 10% sobre o preço de compra.

É importante destacar que essa valorização só se transforma efetivamente em dinheiro realizado quando o investidor vende a ação.

Enquanto continuar mantendo o ativo em carteira, existe apenas um ganho não realizado, também chamado de ganho potencial.


Por que uma ação se valoriza?

Essa é uma das perguntas mais importantes para quem deseja investir em ações.

O preço de uma ação é determinado pelo encontro entre oferta e demanda no mercado. Porém, por trás dessas compras e vendas existem expectativas sobre o futuro da empresa e da economia.

Entre os fatores que podem influenciar o preço de uma ação estão:

  • Crescimento da receita;
  • Aumento dos lucros;
  • Melhoria das margens;
  • Redução do endividamento;
  • Perspectivas para o setor;
  • Capacidade de geração de caixa;
  • Qualidade da administração;
  • Cenário econômico;
  • Taxas de juros;
  • Inflação;
  • Resultados trimestrais;
  • Expectativas futuras dos investidores.
  • Resultados eleitorais

Imagine uma empresa que apresenta crescimento consistente dos lucros durante vários anos.

Se o mercado acreditar que essa capacidade de geração de resultados continuará crescendo, pode haver maior interesse pelas ações da companhia.

Com mais investidores interessados em comprar, a cotação pode subir.

É justamente por isso que muitos investidores analisam os fundamentos da empresa antes de comprar suas ações.


Repartição de dividendos

2. Lucro por meio de dividendos

A segunda maneira importante de obter retorno com ações é através do recebimento de dividendos.

Dividendos são parcelas do lucro que uma empresa distribui aos seus acionistas, conforme as regras aplicáveis e a política de distribuição da companhia.

Imagine que você tenha 500 ações de uma determinada empresa.

Se a companhia distribuir R$ 0,50 por ação em dividendos, você receberá:

500 × R$ 0,50 = R$ 250

Esse dinheiro será creditado ao acionista de acordo com os procedimentos e datas definidos pela companhia.

Uma característica interessante é que o investidor não precisa necessariamente vender suas ações para receber dividendos.

Ele pode continuar sendo acionista e, ao mesmo tempo, receber os proventos distribuídos pela empresa.


Dividendos não são dinheiro “grátis”

É importante entender um detalhe.

Quando uma empresa distribui dividendos, ela está transferindo parte do patrimônio/resultado disponível da companhia para seus acionistas.

Por isso, após a distribuição, o preço da ação pode sofrer um ajuste correspondente ao valor do provento, em condições de mercado.

Portanto, não faz sentido pensar que o investidor encontrou uma maneira de simplesmente “ganhar dinheiro de graça”.

O que acontece é uma transferência de valor da empresa para o acionista.


E se a empresa crescer?

Agora imagine outro cenário.

Você compra ações de uma empresa por acreditar que ela possui um negócio sólido e boas perspectivas de crescimento.

Ao longo dos anos, a companhia aumenta suas vendas, conquista novos clientes, melhora sua eficiência e aumenta seus lucros.

Se o mercado reconhecer esse crescimento, a empresa poderá se tornar mais valiosa e suas ações poderão se valorizar.

É justamente esse mecanismo que faz com que muitos investidores tenham uma visão de longo prazo.

Em vez de tentar descobrir qual ação vai subir amanhã, eles procuram empresas capazes de gerar resultados consistentes durante muitos anos.


Ações podem gerar renda e crescimento

Uma das características interessantes do investimento em ações é que o retorno pode vir de diferentes fontes.

Podemos imaginar dois componentes:

Retorno total ≈ valorização da ação + proventos recebidos

Por exemplo, suponha que um investidor tenha comprado ações por R$ 10.000.

Depois de determinado período:

  • A carteira passou a valer R$ 11.500;
  • O investidor recebeu R$ 400 em dividendos.

Nesse caso, considerando apenas esses valores, o retorno bruto seria:

R$ 1.500 de valorização + R$ 400 de proventos = R$ 1.900

Ou seja, um retorno bruto de 19% sobre os R$ 10.000 investidos.

Na prática, entretanto, é necessário considerar impostos, custos de negociação e outros fatores aplicáveis.


O que faz uma empresa virar uma boa opção de investimento?

O que faz uma empresa ser uma boa opção de investimento?

Essa é uma pergunta que não possui uma resposta única.

Uma empresa pode apresentar características interessantes para determinado investidor e não ser adequada para outro.

Por isso, antes de comprar uma ação, é importante analisar aspectos como:

Receita

A empresa está conseguindo aumentar suas vendas ao longo dos anos?

Lucro

A companhia apresenta capacidade consistente de gerar lucro?

Margens

O negócio consegue transformar uma parcela razoável de sua receita em lucro?

Endividamento

A empresa possui uma dívida compatível com sua capacidade de geração de caixa?

Fluxo de caixa

O negócio consegue gerar dinheiro de forma consistente?

Vantagem competitiva

Existe alguma característica que dificulte a entrada de concorrentes?

Gestão

A administração possui histórico de decisões responsáveis e criação de valor?

Valuation

O preço atual da ação parece razoável em relação aos resultados e às perspectivas da empresa?

Essas são algumas das questões utilizadas na análise fundamentalista.


Análise fundamentalista

O que é análise fundamentalista?

A análise fundamentalista procura avaliar a saúde financeira e econômica de uma empresa.

O objetivo é entender o negócio, seus resultados e suas perspectivas para tentar determinar se o preço atual da ação é atrativo.

Entre os indicadores frequentemente analisados estão:

  • P/L (Preço/Lucro);
  • P/VP (Preço/Valor Patrimonial);
  • ROE; (Retorno sobre o Investimento)
  • Margem líquida;
  • Dívida líquida/EBITDA;
  • Dividend Yield;
  • Crescimento da receita;
  • Crescimento do lucro;
  • Geração de caixa.

Nenhum indicador deve ser analisado isoladamente.

Uma empresa com P/L baixo, por exemplo, não é automaticamente uma excelente oportunidade. Pode existir algum problema estrutural no negócio que justifique aquela avaliação.

Por isso, o investidor precisa olhar o conjunto de informações.


Análise gráfica

E a análise gráfica?

Outra abordagem bastante utilizada no mercado é a análise técnica ou análise gráfica.

Enquanto a análise fundamentalista procura avaliar principalmente os fundamentos econômicos e financeiros da empresa, a análise gráfica observa o comportamento dos preços e do volume negociado.

Entre os conceitos estudados estão:

  • Tendências;
  • Suportes;
  • Resistências;
  • Médias móveis;
  • Volume;
  • Padrões gráficos;
  • Indicadores técnicos.

A análise gráfica pode ser utilizada para identificar possíveis pontos de entrada e saída, mas não garante que uma operação será lucrativa.

Assim como qualquer método de análise, ela envolve probabilidades e riscos.


É possível perder dinheiro investindo em ações?

Sim.

Esse é um dos pontos mais importantes para qualquer iniciante entender.

O preço de uma ação pode subir, mas também pode cair.

Imagine que você compre uma ação por R$ 30 e, posteriormente, ela passe a valer R$ 20.

Nesse caso, sua posição terá sofrido uma desvalorização de aproximadamente 33,3%.

Se vender nesse momento, realizará o prejuízo.

Além disso, existem situações em que uma empresa pode enfrentar problemas graves, como:

  • Queda acentuada das vendas;
  • Aumento excessivo das dívidas;
  • Problemas de governança;
  • Processos judiciais;
  • Mudanças regulatórias;
  • Perda de competitividade;
  • Crises no setor;
  • Fraudes;
  • Recuperação judicial ou falência.

Por isso, investir em ações não deve ser encarado como uma forma de ganhar dinheiro rapidamente e sem risco.


Por que diversificar os investimentos?

Imagine que você coloque todo o seu dinheiro em uma única empresa.

Se essa companhia enfrentar um problema grave, grande parte do seu patrimônio poderá ser afetada.

A diversificação busca reduzir esse risco.

Um investidor pode, por exemplo, distribuir seus recursos entre diferentes empresas e setores, além de outras classes de ativos.

A lógica é simples:

não depender do desempenho de um único investimento.

Entretanto, diversificar não elimina completamente os riscos. Uma carteira diversificada também pode sofrer perdas em períodos de queda generalizada do mercado.


Ações são indicadas para iniciantes?

Sim, um iniciante pode investir em ações, desde que compreenda o funcionamento desse mercado e esteja preparado para lidar com oscilações.

O maior erro é começar pela tentativa de descobrir “qual ação vai explodir”.

Uma abordagem mais prudente é primeiro aprender:

  1. O que é uma ação;
  2. Como funciona a Bolsa;
  3. Como analisar empresas;
  4. Como interpretar os principais indicadores;
  5. Como avaliar riscos;
  6. Como montar uma carteira diversificada;
  7. Como definir objetivos e horizonte de investimento.

Conhecimento deve vir antes da tomada de risco.


Quanto dinheiro é necessário para começar?

Não existe um valor único que sirva para todos.

O importante é entender que não é necessário ter dezenas ou centenas de milhares de reais para começar a estudar e investir.

Dependendo do preço do ativo e da quantidade mínima negociada, é possível iniciar com valores relativamente pequenos.

Porém, o investidor deve considerar sua situação financeira antes de investir.

Ter uma reserva financeira adequada e organizar o orçamento são passos importantes antes de assumir riscos maiores no mercado.


Ação é igual a renda fixa?

Não.

Essa diferença precisa estar muito clara para o investidor iniciante.

Na renda fixa, o investimento normalmente está associado a uma regra de remuneração previamente definida ou a um indicador de referência.

Nas ações, o retorno não é garantido.

Você pode comprar uma ação e obter uma valorização expressiva, mas também pode sofrer uma desvalorização significativa.

Por isso, ações apresentam maior risco e maior potencial de retorno do que investimentos mais conservadores, embora não exista garantia de que o retorno será maior.


O segredo não é simplesmente comprar ações baratas

Um dos erros mais comuns de quem está começando é acreditar que uma ação de R$ 5 é necessariamente mais barata que uma ação de R$ 100.

Isso não é verdade.

O preço unitário de uma ação não diz, sozinho, se uma empresa está barata ou cara.

Imagine duas empresas:

  • Empresa A: ação custa R$ 5;
  • Empresa B: ação custa R$ 100.

Não podemos concluir que a Empresa A está mais barata simplesmente olhando o preço de cada ação.

Para avaliar o valor de uma empresa, é necessário analisar fatores como número de ações, lucro, patrimônio, geração de caixa, crescimento e perspectivas futuras.

É aí que entra o conceito de valuation.


O que é valuation?

Valuation é o processo de estimar o valor de uma empresa.

Existem diferentes métodos para fazer isso, como modelos baseados em:

  • Fluxo de Caixa Descontado;
  • Múltiplos de mercado;
  • Dividendos;
  • Comparação com empresas semelhantes.

A ideia central é tentar responder:

“Quanto essa empresa realmente pode valer?”

Depois, o investidor pode comparar essa estimativa com o preço pelo qual as ações estão sendo negociadas.

Se entender que existe uma diferença favorável entre valor estimado e preço de mercado, pode considerar a ação interessante.

Mas valuation também envolve premissas e incertezas. Não existe um método capaz de prever o futuro com precisão.


O efeito dos juros compostos no investimento em ações

Um dos maiores aliados do investidor de longo prazo é o efeito dos juros compostos.

Imagine um investidor que recebe dividendos e outros proventos e decide reinvestir esse dinheiro na compra de mais ativos.

Esses novos ativos poderão gerar novos rendimentos no futuro.

Com o passar dos anos, o patrimônio pode crescer não apenas através dos aportes, mas também pela reinversão dos retornos.

Por exemplo:

Capital inicial → rendimentos → reinvestimento → mais rendimentos → novo reinvestimento

Esse ciclo pode produzir um efeito significativo no longo prazo.

É por isso que muitos investidores procuram construir patrimônio ao longo de décadas, em vez de buscar ganhos rápidos.


A importância de ter uma estratégia

Investidores da bolsa utilizando estratégia

Investir em ações sem estratégia pode transformar o mercado em um verdadeiro jogo de emoções.

A Bolsa pode apresentar períodos de forte alta e também momentos de queda.

Sem um plano definido, o investidor pode:

  • Comprar por euforia;
  • Vender por medo;
  • Seguir dicas de terceiros;
  • Concentrar demais a carteira;
  • Comprar empresas que não conhece;
  • Tomar decisões impulsivas.

Uma estratégia ajuda o investidor a estabelecer critérios antes de colocar o dinheiro em risco.


Conclusão

Uma ação da Bolsa é uma pequena participação em uma empresa. Ao adquirir esse ativo, o investidor passa a ter exposição aos resultados e às perspectivas daquele negócio.

Existem principalmente duas formas de obter retorno:

1. Valorização da ação: comprar por um preço e vender posteriormente por um preço maior.

2. Recebimento de proventos: participar da distribuição de resultados da empresa, quando houver distribuição.

Entretanto, investir em ações também envolve riscos. O preço pode cair, a empresa pode apresentar resultados ruins e o investidor pode perder parte ou até, em situações extremas, grande parte do capital investido.

Por isso, para quem está começando, o mais importante não é encontrar uma “ação mágica”, mas aprender a analisar empresas, entender os riscos, diversificar e tomar decisões baseadas em critérios.

Quanto maior for o conhecimento do investidor sobre o funcionamento do mercado, mais preparado ele estará para tomar decisões conscientes sobre seu patrimônio.

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